Ciclo da Música

 

21 de Julho, 6.ª feira

21:00 – Anfiteatro Colina da Camões, Quinta das Lágrimas
Custo: € 15

 

Mongrel – Chopin e Jazz”

Mário Laginha Trio

 

Mário Laginha, piano

Bernardo Moreira, contrabaixo

Alexandre Frazão, bateria

 

Frédéric Chopin (1810 – 1849)

Nocturno Op. 48 N.º 1

Valsa Op. 34 N.º 2

Fantasia Op. 49

Nocturno Op. 15 N.º 1

Balada Op. 23

Estudo Op. 10 N.º 6

Scherzo Op. 31 N.º 2

 

 

NOTAS AO PROGRAMA

 

“Durante os últimos meses, enquanto procurava escolher as peças de Chopin sobre as quais trabalhar, fui relembrando que a profusão de melodias e a riqueza harmónica são uma constante em toda a sua música. No Scherzo, na Balada, na Fantasia e até nos Nocturnos, só utilizei parte dessas melodias (por vezes uma só). Tomei muitas liberdades. Mudei compassos, tempos, modifiquei algumas harmonias – até mesmo melodias – criei espaço para a improvisação, enfim, nunca me abstive de alterar aquilo que me pareceu necessário para aproximar a música de Chopin do meu universo musical. Tinha que o fazer. Ironicamente, embirro solenemente com versões de temas clássicos em que lhes acrescentam um ritmo de jazz ou pop. Nunca o faria. Quis deixar reconhecível a fonte musical, mas fiz os possíveis por não ter uma deferência tal que me inibisse de transformar o que quer que fosse.

O concerto de hoje é uma espécie de heresia a transbordar respeito pelo compositor. E parece-me quase um dever homenagear um dos maiores improvisadores de todos os tempos com uma música que tem na sua matriz a improvisação.”

– Mário Laginha

 

 

BIOGRAFIAS

 

Mário Laginha Trio

Criado há mais de uma década, o Mário Laginha Trio reúne três músicos de excepção. Sobre Bernardo Moreira e Alexandre Frazão, Laginha diz serem músicos em que o acto de tocar tem sempre de ser um acto de prazer, e se possível mais, muito mais que isso – um momento de felicidade. O trio gosta de experimentar e de arriscar, sendo o risco um dos estímulos que os fazem, no momento em que sobem ao palco, sentir que estão vivos. Este trio está unido por fortíssimos laços de amizade e uma enorme cumplicidade musical que se tem desenvolvido e manifestado em mais diversas formações e nos mais variados contextos. Isso é bem visível na forma como actuam.

 

Mário Laginha

Mário Laginha é habitualmente conotado com o jazz. Mas o universo musical que foi construindo ao longo de mais de duas décadas é bem mais abrangente, afirmando-se como um tributo às músicas que sempre o tocaram: o jazz, os sons do Brasil, da Índia, de África, a pop e o rock, sem esquecer as bases clássicas que influenciaram o seu primeiro projecto a solo (Canções e Fugas, de 2006). Mário Laginha tem articulado uma forte personalidade musical com uma vontade imensa de partilhar a sua arte com outros músicos, destacando-se as parcerias com Maria João, Pedro Burmester e Bernardo Sassetti. Mário Laginha tem escrito para diversas formações, de big bands a orquestras, compondo também para cinema e teatro. Os seus mais recentes álbuns intitulam-se “Mongrel”, a partir de originais de Chopin (com Bernardo Moreira e Alexandre Frazão); “Iridescente” (com Maria João) e “Terra Seca” (com Miguel Amaral e Bernardo Moreira).

 

Alexandre Frazão

Alexandre Frazão é natural de Niterói, no Rio de Janeiro, tendo vindo para Portugal com 19 anos, onde se radicou desde 1987. No Brasil estudou no Conservatório em 1984 e estudou ainda com Alan Dawson, Kenny Washington e Max Roach. Em Portugal dedicou-se principalmente ao jazz e à música improvisada, tendo colaborado, entre outros, com Maria João (cantora) e Mário Laginha, Bernardo Sassetti, Carlos Martins, Laurent Filipe, Rodrigo Gonçalves, Carlos Barretto, Ficções, Dave O’Higgins, Perico Sambeat, Jon Freeman e Mark Turner. Alexandre Frazão é um músico multifacetado, que se expressa tanto nos vários idiomas jazz, como noutros estilos de música, da música pop ao rock, ou da música tradicional portuguesa a estilos experimentalistas, entre outros, recorrendo de modo inventivo a vários recursos da bateria, para se expressar com uma concepção muito elástica de ritmo e textura.

 

Bernardo Moreira

Bernardo Moreira iniciou os seus estudos musicais aos 16 anos de idade, na Academia de Amadores de Música. Na década de 80 tocou em vários clubes de jazz em Portugal e no estrangeiro com músicos como Eddie Henderson, Norman Simmons e Al Grey, entre outros. Em 1993 realizou uma digressão pelos EUA com o Moreiras Jazz Quintet, juntamente com o vibrafonista Steve Nelson. Gravou diversos álbuns: “Chocolate”, em 2008 (Duo Maria João e Mário Laginha); “Espaço” em 2007 e “Mongrel” em 2010 (Mário Laginha Trio); “Abril” e “Fado / Tango” (Cristina Branco) e “Terra Seca” em 2013, juntamente com Mário Laginha e o guitarrista Miguel Amaral (Mário Laginha Novo Trio). Toca regularmente em Portugal, Espanha, França, Moçambique, África do Sul, Bélgica, Luxemburgo e Inglaterra.