19 Julho 22:30 | Bernini: Luz, Sombra e Movimento

Ciclo das Conferências

 

19 de Julho, 4.ª feira

22:30 – Hotel Quinta das Lágrimas

 

“Bernini: Luz, Sombra e Movimento”

José Monterroso Teixeira, orador

 

Na triunfal carreira de Gian Lorenzo Bernini (1598-1680), a historiografia artística identifica, de modo consensual, um segmento marcado na emergência da proximidade com o cardeal Scipione Borghese, sobrinho de Paulo V (1605-1621), que se torna o seu primeiro mecenas. É neste período que ele cria uma nova tipologia dos seus retratos escultóricos, em que procura, através do mármore, que a verosimilhança lhe outorgue a cor, a vida e o espírito, na expressão dramática, segundo escreveu. Em breve consolida uma maturidade e um reconhecimento assinaláveis; a fonte do Tritão, em Roma, baseada nas Metamorfoses de Ovídio, em resposta a uma encomenda da família Barberini, cria um verdadeiro espectáculo, integrado orgânica e poeticamente. Com o Apollo e Dafne, e o rapto de Proserpina, de novo inspiradas naquela obra de Ovídio, opera, no primeiro, a transubstanciação do mármore em folhas, troncos, em cascas de árvore, num movimento alucinatório, acentuado pelo claro-escuro e no segundo, explode a violenta maleabilidade dos corpos, no compacto grupo escultórico barroco.

 

BIOGRAFIA

 

José Monterroso Teixeira é historiador da arte, professor universitário, investigador e autor de inúmeras publicações científicas, e desempenhou, entre outros, os cargos de Director do Museu Biblioteca da Fundação da Casa de Bragança – Paço Ducal de Vila Viçosa, do Museu de Évora, do Museu-Escola da Fundação Espírito Santo, Lisboa, do Centro de Exposições do Centro Cultural de Belém, de Director-geral da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, de Presidente do Conselho de Administração do Opart e de relator da apresentação da candidatura de Vila Viçosa a Património Mundial da Unesco. Recebeu, em 1987 e em 2013, o Prémio da Academia Nacional de Belas-Artes de Lisboa. Em 1998, sob a égide do ICOM, foi galardoado com o Prémio Museion-Triomus. Comissariou as exposições “Triomphe du Baroque”, “Almada – A Cena do Corpo”, “Splendours of Portugal”, “Five Centuries of Portuguese Art”, a representação artística portuguesa à Bienal de Veneza de 1995 e ainda as exposições “Vieira Portuense, Os desenhos de Parma, “A Coleção de Franco Maria Ricci, Retratos de Humanidade” e “Giambattista Bodoni: A invenção da Simplicidade”. Em 2009, publicou “Aleijadinho, o Teatro da Fé”. Rege a unidade curricular História da Arquitetura II e III, no Departamento de Arquitetura da Universidade de Lisboa.