Outros Mundos

12.º Festival das Artes

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Bem-vindos ao Festival das Artes 2021, o festival dos Outros Mundos!

A Quinta das Lágrimas sempre foi refúgio de hospitalidade, do estar, e do estar bem. A sua função de Hotel veio reforçar este dom e veio trazer uma dimensão internacional a esta capacidade de chamar a si quem quer descansar, passear e partilhar a calma de um paraíso.

O anfiteatro de relva, que em 2008 a Fundação Inês de Castro construiu na Quinta das Lágrimas, trouxe a este polo de atração um novo talento: juntarmo-nos muitos para ouvir, ver e sentir Arte.

Todos temos já memórias boas de passarmos no Anfiteatro Colina de Camões, momentos de êxtase face ao inesgotável talento que artistas, orquestras, quartetos, atores, bailarinos, ilusionistas e poetas partilharam connosco, aqui, juntos ao cair da noite entre lagos, sequoias e a colina de Coimbra. Temos esta memória coletiva de vivermos em partilha a efusão artística neste local de história de beleza e de bem-estar e assim este espaço e estes momentos de Verão e arte se tornaram obrigatórios para tantos de nós.

Julgo que é talvez pelos ingredientes de partilha, memória colectiva e capacidade de acolhimento que o Festival das Artes na Quinta das Lágrimas contem, que continuamos persistentemente a inventar soluções para voltarmos cada ano. Este ano, este em especial, apesar de os sinais nos dizerem que não, que era boa altura para fechar, mantivemo-lo vivo.

Hibernando em nossas casas, privados da partilha direta, parados, sem viagens, e a cada dia perdendo alegria de viver, mantivemos neste Inverno e nesta Primavera de confinamento, o Festival das Artes 2021 como um farol no nevoeiro. Fomos sonhando em conjunto, em telefonemas e Zoom calls como uma viagem imaginária que tinha tanto para chegar ao seu destino como para encalhar num caminho tão escuro e tão cheio de escolhos.

Quem foram os argonautas deste barco de esperança no Festival das Artes? Começo por nomear a Cláudia do Vale cuja esperança foi para todos contagiante. Ela abriu os jardins para todos voltarem e foi a grande mentora da parceria com a Associação Cultural Quebra Costas, liderada pelo Miguel Lima. Com o Miguel, pelo telefone, fomos inventando e testando uma nova solução para o Festival fazendo uma parceria entre o das Artes e o do QuebraJazz. Fazer uma parceria implica confiança, rigor, estratégia conjunta e cumplicidade e foi isso que alcançámos ao longo da viagem de inverno. Correu tão bem este esforço partilhado com o Quebra Costas que esperamos que esta nova parceria se mantenha por largas décadas.

Posso adiantar que a estes três marinheiros; eu a Cláudia e o Miguel, se juntaram ao longo dos meses frios e fechados, sempre solidários e por vezes mais entusiasmados do que nós, a Margarida Paes, na comunicação e relações públicas, a Alexandra Paquete na gestão e no rigor de orçamentos e contratos, a Andrea Lupi, o Professor José Manuel Aroso Linhares e o Andrew Swinnerton na direção e escolha musical, e o Miguel Júdice a representar o Hotel Quinta das Lágrimas e a criar ideias novas. O calor que traziam fez-nos acreditar que havíamos de chegar a bom porto.

Pelo lado dos financiadores institucionais de um Festival que não se sabia se ia acontecer, sentimos grande encorajamento para prosseguirmos e por isso agradecemos na pessoa da Sra. Vereadora da Cultura de Coimbra, a Doutora Carina Gomes o apoio essencial da Câmara Municipal de Coimbra, e também o apoio do Garantir Cultura e da DGArtes que tornaram o Festival financeiramente possível. Também agradecemos a todos os outros apoiantes, como o Hotel Quinta das Lágrimas, o BPI | Fundación La Caixa, o Hotel Vila Galé, a Helukabel, o Grupo Ascendum e a Fundação Luso que ajudam a tornar possível o Festival das Artes.

Um apoio novo e diferente veio trazer “Novos Mundos” a este Festival e agradecemos ao Jorge Welsh e Luísa Vinhais o empréstimo das peças Nanbam, únicas e belíssimas que representam um novo mundo que os portugueses encontraram no Seculo XVI e do qual fizeram parte no Japão. Vão estar em exposição na Biblioteca da Universidade de Coimbra em conjunto com os Livros e mapas que a Biblioteca escolheu e a quem muito agradecemos na pessoa do seu Diretor Doutor João Gouveia Monteiro.

Confesso que gosto de desafios e as dificuldades “aguçam-me o engenho”. Este ano, apesar das trevas de 2020-21, surgiu a possibilidade de realizar um sonho que o Andrew Swinnerton e eu tínhamos desde o início do Festival; residências de artistas que aqui passassem uns dias a preparar a sua música e a apresentassem a céu aberto na Colina de Camões, e assim aconteceu!

O grupo musical da Fundação Aga Khan, e a sua Diretora Fairouz Nishanova, que nos contactou e ao longo dos meses, em multiplos “zoom”‘s, preparámos, quase em segredo, a residência de quatro Aga Khan Music Masters vocacionados para a obra notável que a Fundação Aga Khan tem desenvolvido na salvaguarda e exibição do património musical do Médio Oriente e da bacia do Mediterrâneo. Ao grupo do Basel, Feras, Jasser and Andrea juntar-se-ão dois artistas portugueses selecionados pelas suas capacidades de improviso e de talento musical. É mais uma parceria, internacional, uma experiência na Quinta das Lágrimas que acolhe músicos prontos para a partilha com um público aberto e fiel a este sítio.

Fazendo-os entrar nesta festa é de braços abertos que os acolhemos com um sentimento reforçado de que estamos todos no mesmo planeta, dependendo e vivendo uns dos outros, em humanidade coletiva. No fundo estamos todos prontos e ansiosos para ouvir a música dos outros e com ela sentir a cadeia humana que nos une por baixo deste céu partilhado por todos.

Quinta das Lágrimas, 10 de Junho 2021

Cristina Castel-Branco

Directora do Festival das Artes