Ciclo da Música

 

16 de Julho, Domingo

21:00 – Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra
Custo: € 15

 

“Viagem na Nau do Tempo”

 Il Dolcimelo

 

Isabel Monteiro, direcção musical

 

 

Viagem na Nau do Tempo

I [Despedida & Largada] – Chansons & Danseryes

II [Afastamento & Saudades] – VIilancicos dos Cancioneiros Ibéricos

III [Tormenta & Fé] – Ensalada de Mateo Flecha “La Bomba”

 

 

NOTAS AO PROGRAMA

 

Lembro que cousa é uma nau da Índia posta à vela com seiscentas, oitocentas e às vezes mais de mil pessoas dentro em si, homens, mulheres, meninos, escravos, nobres, povo, mercadores, soldados, gente do mar. 

João de Lucena (1550-1600)

 

Ao pensar em METAMORFOSES, no âmbito do estudo do século XVI, inevitavelmente ocorre a associação com o imortal poema homónimo de Ovídio, tão presente na Cultura e nas Artes do Renascimento. Diversas edições da obra integravam a notável biblioteca do duque D. Teodósio de Bragança (1505-1563), reflectindo assim a imagem do humanismo quinhentista própria de um grande Senhor. Nesta época estava Portugal a passar pela sua notável reconfiguração enquanto sociedade e território, metamorfoseando-se de um pequeno reino europeu, periférico, numa potência imperial multicultural. O extraordinário protagonismo da nau em todo esse processo é naturalmente inquestionável.

 

Este concerto, sob o mote da Viagem na Nau do Tempo, evoca assim – através de um património musical singular – o papel da navegação intercontinental que transformou a vida dos portugueses e dos seus interlocutores na primeira metade do século XVI. As dificuldades por que passava o viajante da época quanto a transportes, alojamento e segurança pessoal, no mar agravavam-se com os perigos de tormentas e calmarias, perda de rumo, escassez de víveres, doenças e a iminência da morte. A viagem intercontinental a bordo de uma nau era então comparável a uma fortaleza sitiada. De uma maneira ou de outra, estas vicissitudes aparecem espelhadas na música deste programa – de matriz ibérica mas incluindo obras de outras geografias – numa paleta que assinala a audácia e a aventura, mas também a saudade, a fragilidade humana perante os desígnios inexoráveis da Natureza.

 

 

BIOGRAFIAS

 

Il Dolcimelo

O grupo de música antiga Il Dolcimelo é uma associação sem fins lucrativos, há mais de 20 anos dedicada ao estudo e divulgação do património musical do Renascimento em interacção com a cultura portuguesa, não descurando que o seu trabalho se destina aos ouvintes do século XXI.

É constituído por instrumentistas diplomados, elementos do Coro Gulbenkian e outros coralistas experientes, unidos em torno da prática historicamente informada da música antiga e utilizando réplicas de instrumentos renascentistas. Ao longo de duas décadas tem vindo a dedicar-se ao tema da Festa de Corte no Renascimento, baseando o seu trabalho em pesquisa musicológica, literária e iconográfica, do que resulta a criação de espectáculos temáticos algo inesperados. Ocasionalmente conta com a colaboração de intérpretes das áreas do teatro e das danças históricas. Nos últimos anos tem vindo a alargar o leque de actividades participando em congressos e conferências, quer apresentando comunicações relativas à música quinhentista em Portugal, quer com curtos recitais temáticos em conformidade com os objectivos de cada evento. Proporciona ou apoia formação nestas áreas e disponibiliza ateliers para crianças em idade escolar e famílias. Para 2018 prepara uma Residência Artística no âmbito dos 500 anos do casamento de D. Manuel I com D. Leonor de Áustria, incluindo concertos, workshops e oficinas para crianças – nas áreas da música, teatro e danças renascentistas – sob o tema do Recebimento Real, 1518.

 

Isabel Monteiro

Isabel Monteiro é licenciada em Flauta de Bisel pela Escola Superior de Música de Lisboa e Mestre em Musicologia Histórica pela Universidade Nova de Lisboa com a tese “Instrumentos e instrumentistas de sopro no século XVI português”. Apresenta regularmente comunicações em encontros científicos, incidindo em temáticas relacionadas com os instrumentos musicais quinhentistas, algumas recentemente publicadas ou a publicar em actas. É docente na Academia de Música de Santa Cecília, em Lisboa, e responsável artística pelo grupo de música antiga Il Dolcimelo.