Nove METAMORFOSES no Festival das Artes

 

 

 

 

Há nove anos que, em Julho, o jardim da Quinta das Lágrimas se enche de um público que o transforma em sala de espectáculos. Esta é a metamorfose mais visível. Quando o anfiteatro se enche de espectadores e a concha de músicos, o jardim deixa de ser só espaço visível e passa a jardim-música.

 

Do silêncio nasce a música que transforma o espaço no sentir duplo do que os olhos vêem e os ouvidos ouvem. É a segunda metamorfose. A terceira passa-se dentro do Hotel. O Hotel torna-se um encontro de artistas; os que actuaram ontem encontram os que vão actuar hoje, os jantares transformam-se em tertúlias e debates de pensadores e de artistas, como nas academias clássicas.

 

A metamorfose dos espaços de Coimbra em festa é a quarta que, de 15 a 23 de Julho, se vai desdobrando em espectáculos. Na Biblioteca Joanina os livros vão ouvir a música do tempo em que foram impressos numa metamorfose que resulta numa emoção dupla que convoca o ver e o sentir, num espaço de beleza mundial. O Mondego segue-lhe os passos e sobre ele se navega com jazz, e no Convento São Francisco inaugura-se o Festival com Beethoven e Brahms.

 

Coimbra vivendo há séculos o milagre das rosas da Rainha Santa não esquece as duas famosas metamorfoses, a do pão em rosas e a das lágrimas choradas pelas ninfas do Mondego que Camões transformou em água que rega as flores. A Fonte das Lágrimas é assim a metamorfose, que enche os lagos onde se espelha o céu. E os espectadores sentados no anfiteatro ao verem a Fonte iluminada, interrogam-se: Será água? Serão Lágrimas?

 

Há ainda uma metamorfose, a sétima, que começou em Setembro de 1995 e se renovou há pouco. Não fora isso, não haveria Festival das Artes. A Quinta das Lágrimas, a quinta da família Alarcão há quase três séculos, transformou-se em Hotel e abriu-se à nova era do turismo, e por um golpe da magia do restauro, em 2017 passaram a cinco as quatro estrelas do Hotel.

 

Da oitava metamorfose ainda pouco sabemos, vem do Luís de Matos, e terá que ser vivida no anfiteatro, na noite de magia a 17 de Julho… Serão as sequoias que vão desaparecer? Será o lago que se vai despejar? Será o público transformado em arbustos? Que venham todos, venham muitos nesta 9.ª edição das Metamorfoses do Festival das Artes, ajudem a que sobreviva como um tempo e um espaço para celebrar Coimbra, para criar a nona metamorfose, a renovação que se começou este ano e se espera que continue para sempre. Este é o sincero desejo da equipe do Festival das Artes, que o agradece ao público, aos mecenas e ao primeiro de todos, a Câmara Municipal de Coimbra.

 

 

Cristina Castel-Branco

Directora do Festival das Artes