Não tem sido fácil organizar já há seis anos o Festival das Artes, uma iniciativa feita fora de Lisboa ou Porto, com limitados recursos e num período de crise em Portugal. Mas são essas dificuldades que nos estimulam quando acompanhadas do apoio dos mecenas e do público, que tanto agradecemos.

Este ano estamos a homenagear a Universidade de Coimbra, a que gostamos de chamar a nossa Alma Mater. Uma das mais antigas universidades do Mundo, cheia de vontade de se continuar a renovar neste Século XXI, tão repleto de riscos, dificuldades e desafios.

O Património só resiste ao longo dos tempos se tiver uma função, se for capaz de evoluir na fidelidade às raízes, se usar o passado para se projectar no futuro.

A Fundação Inês de Castro sabe bem que assim é, e por isso realça o mito histórico e não a história do mito.

A Unesco não imortalizou a Universidade de Coimbra. Registou a sua imortalidade. Ela já era Património da Humanidade, Mãe da Língua Portuguesa, orgulho de povos espalhados por continentes, hoje independentes, sabendo que ontem em Coimbra estudaram ou foram professores muitos dos Pais das suas Pátrias.

Por isso estamos gratos à Universidade que nos autorizou a prestar-lhe a homenagem que nos orgulha. E pela colaboração que dela recebemos para o Festival das Artes 2014, a que chamámos “Património”, que tem o seu momento cimeiro na abertura com um concerto da Sala dos Capelos, verdadeiro Sacrário da Sabedoria.

Com esta inspiração sublime da nossa História e Cultura, o Festival das Artes mantém uma programação que realça também outros Patrimónios e, sem descurar a qualidade, aposta mais uma vez numa diversidade cultural que possa vir a seduzir todos os públicos.

José Miguel Júdice

Presidente da Direcção do Festival das Artes